Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Teorias

Hoje tive um momento que me fez lembrar o tão longínquo secundário. Sempre que chegava o final do ano lectivo, os professores punham-se com aqueles discursos gastos e repetitivos, em que nos davam conselhos para a vida futura, em que quase se esvaiam em lágrimas porque era o final do ano, em que exaltavam as capacidades de alguns, que no futuro iriam ser mentes brilhantes, ter bons empregos e acima de tudo, que essas pessoas iriam ser importantíssimas para o mundo...enfim... a malta queria era pôr-se a andar para a tasca mais próxima para beber umas cervejas e queria lá saber destas conversas! Era final do ano, tinham acabado as aulas e vinham as férias... o futuro ficava para depois.

 

Mas isto quando se anda no ensino superior, é outro estilo. Os Professores Doutores praticamente não nos ligam nenhuma, nem sabem o nosso nome, e das poucas vezes que falam, no término do semestre, fazem-no, não com emoção nem com discursos habituais, mas sim com TEORIAS, de preferência da sua autoria. Foi o que aconteceu hoje.

O Professor Doutor falava acerca dos exmes já realizados e do último que será realizado para a semana, e da posição dos alunos em relação às avaliações, e disse mais ou menos isto:

 

"Pois, estas coisas é como lavar os dentes, é chato, mas tem de ser feito, e há que pôr empenho nas coisas que fazemos, é mesmo assim. O português tem aquela mania de encontrar o D. Sebastião em tudo, seja nos problemas do trabalho, dos estudos ou pessoais.  Isto das crises existênciais é pura perda de tempo meus caros. O ser humano é 3 D mais um D, ou seja, somos o Desejo (de fazer), O Desenho (os nossos projectos) e o Designio. Mas ningém consegue ser estes três D ao mesmo tempo. Há quem seja Desejo e Desenho, que nunca acaba nada, há aqueles que são Desejo e Designio, pessoas sem sentimento... Daí que haja um terceiro D, o Desespero. É assim meus amigos, não é preciso complicar as coisas, tem de se fazer o que há para fazer e acabou".

 

Ora, e com isto eu pensei assim: Ora tomem lá e embrulhem, sentimentalismos para quê, há que ser rigoroso e objectivo e mais nada! Ou não fosse este Senhor um Doutorado em Engenharia não sei de quê, com uma especialização em Paris, também nem sei de quê.

É verdade, eu reconheço, quem menos sente, mais faz e menos sofre. Mas eu prefiro sentir a mais, pois se assim não fosse, a vida não era tão interessante. Afinal, andamos cá para quê? Para máquinas pensantes já existem os maravilhosos computadores, uma extensão do cérebro humano.

 

E mais engraçado, foi a frase que li na mesa onde estava, (resquícios do secundário que a malta não esquece e continua a fazer rabiscos) :

" Sinto, logo existo. Penso, logo desisto!"

E com esta me vou, para o rio, porque hoje está um belo dia!

 

sinto-me: o meu amor chega hoje!
publicado por noirlibertine às 11:55
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